SÃO PAULO - Neste último pregão do mês, marcado pela
disputa de investidores no vencimento de contrato no mercado futuro, várias
atuações do Banco Central (BC) e acirramento de preocupações com a Síria, o
dólar à vista encerrou em alta. A moeda norte-americana chegou a cair na manhã
desta sexta-feira, 30, após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do
segundo trimestre e da realização de leilão de swap cambial (equivalente à
venda de dólares no mercado futuro). Mas a cotação subiu depois que o BC rejeitou
propostas em outros dois leilões de linha (venda de dólares com compromisso de
recompra) e em meio aos receios com uma guerra na Síria. O dólar à vista no
balcão fechou com valorização de 0,21%, a R$ 2,3830. Em agosto, acumulou ganho
de 4,61% e, no ano, de 16,53%.
Na mínima, às 10h14, a divisa dos EUA atingiu R$ 2,3430
(-1,47%). A baixa foi motivada pelo resultado do PIB do segundo trimestre, que
avançou 1,5% ante os três primeiros meses deste ano e 3,3% sobre o segundo
trimestre de 2012. O resultado veio acima das estimativas de analistas. Além
disso, o leilão do BC negociou 7 mil contratos de swap para 1/11/2013 (US$
349,2 milhões) e 23 mil contratos para 2/1/2014 (US$ 1,142 bilhão).
Com mais liquidez no mercado futuro, a moeda seguiu em
baixa, mas perto das 11h25 reverteu para valorização. A virada veio assim que o
BC recusou propostas no primeiro leilão de linha programado para o dia - dentro
da estratégia de fazer, até o fim do ano, operações deste tipo às
sextas-feiras. Em uma segunda tentativa, minutos depois, o BC novamente não
aceitou propostas. Posteriormente, o BC convocou outro leilão de linha, entre
12h15 e 12h20, numa oferta de até US$ 1 bilhão. Desta vez, foram aceitas
propostas, sendo que o BC não informa quanto foi emprestado.
Os movimentos do BC ocorreram em meio à disputa de
comprados (que apostam na valorização do dólar) e vendidos (que apostam na
baixa) para a formação da Ptax. A taxa, calculada pelo BC e que será usada como
referência para liquidação dos derivativos cambiais de setembro, encerrando o
dia com alta de 0,62%, a R$ 2,3725. No mês, avançou 3,59%.
"A influência da Ptax foi forte pela manhã. Tínhamos
um interesse de Ptax para cima muito claro no fim da tarde de ontem, com o
mercado precisando comprar moeda. O BC fez leilões, mas não foi suficiente para
conter", comentou um profissional da mesa de câmbio de um grande banco.
Além disso, a expectativa de que possa haver uma ataque à
Síria, liderado pelos Estados Unidos, favoreceu a busca por segurança. À tarde,
o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, acusou o governo Sírio de ter
planejado, com antecedência, o ataque com armas químicas contra forças rebeldes
do país. Para o presidente dos EUA, Barack Obama, o ataque precisa ter uma
resposta.
"Os mercados, de certa forma, refletem a Síria,
porque pode haver um ataque", afirmou Alfredo Barbutti, economista da BGC
Liquidez Corretora. Na máxima, às 15h27, a moeda chegou a atingir R$ 2,3960 no
balcão (+0,76%). De acordo com outro profissional, a proximidade do fim de semana
fez alguns investidores manter e até elevar posições em dólar, justamente
porque "algo pode ocorrer". De olho na pressão, o BC já anunciou para
segunda-feira dois leilões de swap - um de 10 mil contratos e outro de 20 mil
contratos.
Comentário de Eduardo Cseny:
Comentário de Eduardo Cseny:
Por enquanto estamos transacionando moeda em U$ em papéis do mercado futuro significando que de uma certa forma a fuga de capitais de reais e papeis em reais para U$ esta sob controle com as medidas tomadas pelo banco central, mas isso não significa que no futuro esses papeis não sejam transformados em moeda corrente U$ direcionando-se a papeis e moedas ofertados pelo FED americano já a juros convidativos. Se isso ocorrer, teremos mais desvalorização do real e se BC brasileiro quiser conter com mais vigor a valorização do U$, terá que queimar reservas internacionais e isso não é nada bom.
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