ROBIN WIGGLESWORTH
DO "FINANCIAL TIMES", EM LONDRES
DO "FINANCIAL TIMES", EM LONDRES
Os bancos
centrais dos países em desenvolvimento perderam US$ 81 bilhões em reservas de
emergência por saída de capital e intervenções nos mercados de câmbio, de maio
para cá, sem considerar a agitação que ressurgiu nesses mercados recentemente.
O número,
que exclui a China, equivale a cerca de 2% das reservas cambiais totais dos
bancos centrais de países emergentes, de acordo com analistas do Morgan
Stanley, que compilaram os dados com base em números dos bancos centrais para
os meses de maio, junho e julho.
No entanto,
alguns países sofreram quedas mais acentuadas. A Indonésia perdeu 13,56% das
reservas de seu banco central entre o final de abril e o final de julho; na
Turquia, a queda foi de 12,7%, e, na Ucrânia de quase 10%.
A Índia,
outro país cuja moeda sofreu abalo nos últimos meses, consumiu quase 5,5% de
suas reservas.
"É uma
verdadeira mudança de regime, se comparada ao que vínhamos vendo nos últimos
dez anos", disse James Lord, estrategista do Morgan Stanley.
"Vimos
grande acúmulo de reservas quando os mercados emergentes estavam tentando
impedir a valorização de suas moedas, e agora estamos vendo o exato
oposto."
As reservas
dos bancos centrais existem para oferecer proteção contra tumultos, e em média
continuam a ser muito mais altas do que era o caso em crises anteriores dos
mercados emergentes. Mas o ritmo de queda vem preocupando alguns investidores e
analistas.
É provável
que muitos bancos centrais tenham sofrido novas perdas de reservas em agosto,
porque a turbulência causada pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco
central dos Estados Unidos) de reduzir seu estímulo monetário ressurgiu e
agravou os efeitos das preocupações quanto à desaceleração do crescimento
econômico em mercados emergentes.
INTERVENÇÃO
Os analistas
do Bank of America apontam que intervenções podem ser na realidade
contraproducentes, porque os bancos centrais precisam vender títulos do Tesouro
norte-americano para comprar moeda de seus países. Isso eleva os rendimentos
desses títulos, o que agrava o tumulto nos mercados emergentes e reduz o valor
de suas reservas restantes denominadas nesse tipo de papel.
Administradores
de ativos e analistas preveem que os bancos centrais logo abandonarão as
intervenções diretas em defesa da taxa de câmbio e tomarão medidas mais
decisivas em favor de conter a saída de capitais de suas economias.
"Se
mantiverem as intervenções, queimarão suas reservas", disse Michael Wang,
estrategista do Amiya Capital, um fundo de hedge cujo foco são os mercados
emergentes.
"Os
bancos centrais estão provavelmente chegando à conclusão de que isso não é
sustentável."
Alguns
bancos centrais já começaram a elevar as taxas de juros para sustentar suas
moedas, mais recentemente o da Turquia, nesta semana. Novos aumentos de juros devem
vir nos próximos meses, a despeito de um ambiente de crescimento tépido.
O Citi
rebaixou suas projeções de crescimento para os mercados emergentes uma vez
mais, nesta semana, para 4,6% enste ano e 5% em 2014. Os economistas do banco
norte-americano apontaram que, excluindo a China e os países ricos em petróleo
do golfo Pérsico, o balanço em conta-corrente dos mercados emergentes como um
todo caiu de um superavit de 2,3% em 2006 para um deficit de 0,8% este ano --o
maior deficit desde 1998, a última vez que os países em desenvolvimento
enfrentaram uma crise.
"Em
última análise, todos os países com grandes deficit em conta-corrente terão de
elevar mais os juros, se quiserem proteger melhor suas moedas", disse
Lord.
Alguns
bancos centrais continuam a acumular reservas cambiais, porém. Lituânia,
Polônia, Israel, Letônia e Colômbia todos viram crescimento de ao menos 1% em
suas reservas entre maio e julho, de acordo com os números do Morgan Stanley.
Outros, como
o Brasil e a Rússia, continuam a ter amplas reservas cambiais a despeito dos
esforços para sustentar suas taxas de câmbio.
Tradução de
PAULO MIGLIACCI
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