terça-feira, 14 de maio de 2013

Guerrilheiros do pensamento

Eduardo Cseny  - de  São Paulo

 

          Acordei hoje cedo pensativo e não muito inspirado como de costume para escrever. No decorrer do dia fui relaxando e, já no final da tarde me senti mais a vontade para poder grafar algumas letras sobre um tema espinhoso e também bem atual que já aconteceu, acontece e voltará acontecer com mais intensidade no final do ano 2014. Lá para meados de Outubro e Novembro. Trata-se de eleições.
          Como é sabido por mim, por você ou por todos que acompanham política, os ânimos se exaltam em decorrência das campanhas eleitorais que sempre se avizinham as datas das eleições acabando por fazer com que as disputas sejam em alguns casos, mais acirradas do que o desejável nos padrões da própria normalidade fazendo com que a baixaria pulule no jogo político. E no período, no Brasil são disputadas às cadeiras do Senado, Governos Estaduais e Presidência da República. “Entre essa e outras, é por isso que o bicho pega, e como pega”.
          Não vou ficar com muitos rodeios tentando ser o mais objetivo possível para não ficar parecendo a “festa do peão e boiadeiro de Barretos”. Lá o que vale é ficar o maior tempo possível em cima de cavalos e touros para domar o bicho pela exaustão. Aqui, é fazer com que o leitor que é você que visita este blog leia um texto simples, mas com muita objetividade para facilitar seu entendimento.
           Nos meados do ano de 2000 a 2001, “ia eu lindo belo e loiro” navegando na internet como usuário fiel do servidor UOL aqui no Brasil. Frequentador assíduo das “salas de bate-papo” quando fui apresentado e encaminhado ao um programa de conversação (bate-papo) chamado Ti-Vejo. Programa bom para sua época, porque aqui no Brasil o único concorrente similar era o programa ICQ. Mas vamos ao que interessa:
Nesse programa (Ti-Vejo) de conversação, existiam donos das salas, ou seja: Cada assinante tinha uma sala de bate-papo sua e de sua responsabilidade, onde o proprietário abria a sala e a disciplinava dentro das regras estabelecidas pelo moderador geral e pelo próprio detentor da sala. Funcionava bem tanto o programa como cada sala individualmente até que, fui convidado a participar de um fórum de discussões existente no programa. Até ai, nada de anormal, mas no fórum, por lá comecei a perceber que existiam problemas relativos a relacionamentos, como também problemas com muitas queixas de assinantes para com a direção da empresa programa Ti-vejo. Até ai nenhum problema com relação a mim, mas não tardou para começarem a me envolver nas questões e deixei que me envolvessem quando começaram a aparecer discussões relativas ao tema política já no ano de 2002, ano em que o Ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva se elegeu vencendo. Diante das calorosas discussões políticas no fórum – reservadamente ameaçado fui sutilmente convidado a me retirar da internet por internauta do Rio de Janeiro com apoio de uns tantos outros. Foi quando comecei a perceber que já se tratava de militância política na net. Isso lá no ano de 2002.
          A partir de 2002 criei um blog na blogosfera e por lá postei artigos meus, artigos de terceiros com comentários meus, links de noticias, artigos e comentários sobre noticias em geral, em especial política. Enfim, lá era o meu espaço e ninguém, ninguém poderia me ameaçar ou querer me expulsar. Em tempo: o programa Ti-vejo já não mais estava operacional na internet. E assim fui dando prosseguimento até resolver procurar na blogosfera maiores informações do que acontecia sobre política.
          Já na blogosfera, visitando blogs da região do nordeste do país, ou seja: blogs de nordestinos sobre política quando percebi uma alta tendência pró-partido dos trabalhadores (PT) e pró Luiz Inácio Lula da Silva. Eram radicais ao ponto de não aceitarem criticas contra fatos e acontecimentos relativos ao governo central que naquele momento dominava a mais alta esfera do poder. Nem mesmo uma simples critica contra fatos de corrupção relatados nos jornais eram naturalmente aceitos. Entendi assim que não se tratavam de internautas blogueiros que postavam manifestando apenas sua preferência ideológica político partidária, mas na verdade tratava-se de militância institucionalizada atuando na formação de opinião. Até ai nada de anormal. A final de contas todo mundo tem o direito a ter suas preferências e a manifestar publicamente essa preferência. O único fato estranho era não aceitar crítica de nenhuma espécie independentemente da pertinência ou não. Percebi também que não era apenas o PT que atuava na mídia digital internet como militância política cega e obstinada e a disputa se dava numa batalha de guerrilha cujo alvo é o pensamento alheio, onde os coadjuvantes do processo são o PT x PSDB e os seus aliados não poupando nem mesmo aqueles cujas manifestações se dão sem o hasteamento de nenhuma bandeira partidária, inclusive eu que participei do episódio postando um texto de título “Batendo uma bolinha no blog”. Não creio ter sido protagonista, mas notava inúmeras similaridades que surgiam à medida que ia navegando na net, certamente originárias das ideias da mente de um ilustre e anônimo marqueteiro, ou ilustres e anônimos marqueteiros.
           A batalha no veículo digital internet continuava com o incrível duelo dos militantes tanto do PT (Partido dos trabalhadores) e seus aliados (Partidos da base aliada), como do PSDB (Partido da Social Democracia do Brasil) e as respectivas militâncias numa autentica guerrilha virtual contra pensamentos críticos quer seja neutros, quer seja de um lado, ou de outro na busca incansável pela formação de opinião. Eu mesmo num de meus artigos expus a importância do veículo digital internet e a real possibilidade de formação de opinião pública.
          Luiz Inácio Lula da Silva se reelegeu no ano de 2006, com ampla exploração pela formação de opinião na mídia digital internet em batalha ostensiva contra os tucanos do PSDB. De um lado o grande líder Lula, de outro o grande líder FHC (Fernando Henrique Cardoso que não era o candidato concorrente). Nem mesmo nos grandes jornais como Folha de São Paulo digital e o Jornal o Estado de São Paulo digital em seus espaços destinados a comentários escaparam do combate entre os dois partidos em guerra cujos militantes desqualificavam quaisquer que fossem os pensamentos críticos ou não dos comentaristas que lá comentavam postando. A matéria da revista veja sobre ocorrências similares, não é nem uma gotinha no mar de lama que suja a disputa política pelo poder no Brasil. Nem mesmo às campanhas políticas para prefeituras e câmara dos vereadores municipais escapa deste escopo, municiadas ora por bravatas soltadas na imprensa pelos principais líderes partidários, ora por noticias variadas apresentadas pelos jornais.
          Como é sabido à internet é composta por ilustres internautas e internautas ilustres, sedentos pelo exercício pleno da liberdade de expressão. Isso não quer dizer que não há limites. Há limites sim! Eles começam pelo regramento de leis que punem por injúrias e calunias que causam danos morais passíveis de indenizações, portanto há que se ter responsabilidade ao se exercer o direito e essa responsabilidade não é abraçada pelos guerrilheiros do pensamento (militantes partidários). Vale tudo pelo êxito na desqualificação das ideias e pensamentos dos outros no sentido da melhor formação de opinião possível conforme ditam as regras dos próprios interesses do partido. Seja ele qual for.
          Escândalo do mensalão pulsando nos jornais. A militância do PT (Partido dos Trabalhadores) sem saber o que fazer a não ser continuar lutando contra as críticas ao governo.
          Sucessão presidencial feita com êxito. Lula consegue eleger Dilma Russef a presidência do Brasil apesar dos escândalos de corrupção que volta e meia explodiam nos jornais. À militância Petista resolveu chamar a imprensa de PIG (partido da imprensa golpista) passando uma falsa ilusão de que havia uma articulação golpista por parte da imprensa para derrubar o governo. Acontece então lançamento do livro “Honoráveis Bandidos” um retrato do Brasil na era José Sarney e suas supostas  mazelas, do escritor Palmério Dória, em seguida o lançamento do livro “Privataria tucana”, do escritor Amaury Ribeiro Jr. Exaltando as supostas privatizações na era FHC (Fernando Henrique Cardoso), digo supostas porque a  oposição em momento algum defendeu as privatizações explicando a seus eleitores e a sociedade em geral o porque de terem que privatizar estatais deficitárias. Os fatos seguiam e seguem com graves acusações  a José Serra, e finalmente o lançamento do livro “O Chefe”, do escritor Ivo Patarra exaltando e esmiuçando o escândalo do mensalão com suposto comando de Lula. Esses fatos serviram para Municiar as militâncias tanto do PT e base aliada, quanto do PSDB/DEM para travarem uma verdadeira guerrilha virtual no campo das ideias e pensamentos num quadro de liberdade de expressão. Valia tudo, desde mentiras deslavadas, a calúnias, injúrias e difamação.
          Já no governo de Dilma Russef, acontecem os escândalos envolvendo ministros de seu governo com o afastamento de vários deles. Isto gerou vasto material para a militância do PSDB/DEM se digladiarem na guerrilha virtual com o PT/PMDB e partidos nanicos nos blogs e jornais digitais.
          Já estamos no ano de 2013 às vésperas do ano das eleições que será em 2014. A campanha principal, que é a presidência da republica já esta engatilhada. Já há guerrilha pela formação de opinião tanto nas mídias tradicionais, como na digital. A medida que o tempo for passando, fatalmente os ânimos irão acirrar e a “baixaria” fatalmente deverá aparecer quer seja pela guerrilha do pensamento virtual, muito bem instruída por marqueteiros e políticos profissionais e experientes, como pelo esquadrão classe A atuante na mídia radio/televisiva.
          O marketing explorar a mídia digital internet não é problema. É até normal, previsível e esperado afinal de contas, é uma mídia como outra qualquer. O que não pode e não deve ocorrer é a atuação de perfis e usuários fictícios, falsos e pagos, como retratado na matéria da revista Veja como segue no link ( Militância política falsa (e paga) na internet ). Essa matéria me deu animo e  confiança para escrever este artigo.



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