quarta-feira, 3 de julho de 2013

"Um tiro no próprio pé e outro na direção do Congresso"

Recentemente a Presidente Dilma Roussef corajosamente empunhou uma garrucha carregando a arma com balas de pacto nacional com governadores e prefeitos das capitais. Reunindo-se com todos eles focou como pauta cinco pontos que são: 1º reforma política, 2º aplicação de 50 bilhões de reais para mobilidade urbana, 3º combate a corrupção com a transformação de crime comum para crime hediondo o crime de corrupção, 4º contratação de médicos estrangeiros para vagas não ocupadas por médicos nacionais, 5º aplicação de 100% dos royalts do petróleo da parte pertencente ao governo federal para a educação, e parou por ai.
Vou escrever inicialmente sobre o tema mais polêmico que é reforma política. A presidente falou em cadeia nacional que tinha como proposição de um plebiscito onde o povo decidiria sobre se quer ou não uma Assembleia Constituinte específica para fazer a reforma política. Sentado no meu sofá diante do aparelho de tv. , fiquei surpreso nesse ponto entendendo que esse seria o caminho correto para atender aos anseios das massas que ora protestam nas ruas, mas eis que no dia seguinte surgem bombardeios oriundos de todas as direções no sentido de pressionar a presidente, natural vindo principalmente do congresso nacional com supostos representantes que tem como exclusivamente interesses contaminados pela bactéria do clientelismo, fisiologismo e corporativismo, incapazes de por mais ou menos vinte anos passados tratar do assunto sem tirar do fundo da gaveta. Segui acompanhando e ouvindo os noticiários pelo radio FM também neste dia seguinte quando e fiquei sabendo que ao receber representante da OAB, o mesmo teria desaconselhado a presidente, aconselhando-a fazer um plebiscito. Logo conclui também que as pressões não seriam apenas por parte do congresso nacional. Ouvi também a opinião de um nobre e ilustre Jurista,  renomado, por sinal, de que seria possível através da edição de uma PEC. (projeto de emenda constitucional), que poderia ser editada por qualquer congressista tanto da base aliada como do próprio PT (partido dos trabalhadores). Outras opiniões de analistas políticos tratavam a matéria como estapafúrdia, que eu discordei e ainda discordo totalmente, afinal de contas o que impede uma reforma constitucional além de certa complexidade, certo tempo, como certo a eleição popular de uma assembleia constituinte que venha representar a sociedade em questão, rompendo com barreiras de interesses de grupos que não mais representam a sociedade como ela acha que deva ser representada, e o pior de tudo, é que não representam mesmo nada mais além de seus próprios interesses dentro e diante de um enorme balcão de negócios, e é nisso que se transformou o congresso nacional. Ouvi também um nobre e ilustre ex-Ministro da Suprema corte brasileira, STF, Carlos Aires Brito dando sua opinião de que, não existe constituinte específica e que uma constituinte significa matar a constituição. Ora, caro ministro, só se mata o que não esta morto e isso só acontece na promulgação da nova constituição, e o que impede uma pequena reforma constitucional? Nada não é mesmo, além dos interesses contrários. E tem mais, não existe constituinte especifica até o momento que passar a existir não é mesmo? Sou leigo, mas não sou burro!
O tiro no próprio pé que a presidente se deu foi pelo fato de ter recuado quanto a constituinte optando pela sugestão do representante da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), optando pelo plebiscito proposto. O fez enviando ao Congresso Nacional um propositura de intenções contendo 5 pontos, que curiosamente são pontos pertencentes a propostas sugeridas no próprio congresso pelo seu partido o PT. Isso é um recuo estratégico de quem não aguentou as pressões, e que agora dispara um tiro na direção do congresso nacional passando a bola para o congresso, que é quem delibera e decide sobre o assunto reforma política. Só sei de uma coisa: uma constituinte específica significaria uma reforma política saindo da sociedade para uma constituinte eleita popularmente e que de fato representaria aos anseios da sociedade, e dela para a classe política ora reinante da esfera do poder, e é esta sociedade que é, mas não pode e não deve mais ser tratada como simples eleitores.
Dos outros temas tratarei em outros textos individuais por se tratarem também de temas que precisem de uma dedicação toda especial, mas de concreto já posso adiantar que o pronunciamento da presidente a nação em resposta às manifestações estão num vazio e não será fácil tira-lo disso.

Eduardo Cseny

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