Eduardo Cseny - de São Paulo
Nesta semana tivemos lá nas terras e bandas do Congresso
Nacional, mais especificamente no Senado Federal a votação da PEC (Projeto de
Emenda Constitucional) que visa modificar a constituição no quesito que diz
respeito ao voto secreto no parlamento brasileiro. A questão se desenrolou num
teórico embate entre as forças progressistas que defendem o voto aberto em
qualquer circunstancia e as forças conservadoras que defendem o voto aberto dos
parlamentares apenas para cassação de mandato. Os progressistas foram
representados pelos Partidos PT, PSB, PDT e PSOL enquanto que os demais partidos
foram os conservadores contrários. Digo conservadores por que simplesmente não
há nenhuma razão objetiva que justifique o fato de as votações individuais dos
parlamentares serem secretas. Eles alegam risco de pressão dos poderes
executivo, judiciário e os demais atores que formam o conjunto de variáveis da
vida parlamentar. Penso que, quem cumpre com as obrigações de forma correta,
faz uso e usufrui de seus direitos de forma correta e cumprem com as devidas
obrigações de oficio como também enquanto cidadãos, não tem ao que temer. Medo de
quem? Do que? Pressão? Qual, quais? Como se vê não faz nenhum sentido quanto a
qualquer justificativa que eventualmente nossos congressistas possam usar para
se justificar além de interesses dúbios que não são absolutamente os mesmos
interesses de seus representantes eleitores que formam o conjunto da sociedade.
Voto secreto pode atender a inúmeros interesses, menos os do eleitor que tem o
direito em saber como vota o congressista que teve seu voto. A PEC proposta
objetiva abrir o voto de uma maneira ampla e irrestrita, atingindo todas as
esferas de poder publico no país, do congresso nacional a câmara de vereadores
dos municípios, mas não passou. Inúmeras manobras regimentais levaram ao
fatiamento da proposta onde ficou definido que o voto somente “será” aberto nos
casos de cassação de políticos e apreciação dos vetos da Presidente,
restringindo o voto aberto apenas para o Congresso Nacional. Ocorreu que o
fatiamento regimentalmente proposto desfigurou a proposta inicial que era de
voto aberto de forma irrestrita. O desenrolar das manobras que ocorreram
tiveram direcionamento do presidente da mesa do Senado Senador Renan Calheiros
que nitidamente se posicionava de maneira imparcial, tendendo a favor do
fatiamento. No final, ficou decidido que no caso de aprovação para cargos
eletivos e membros das mesas, o voto permaneceria secreto. Ficou suprimido da
Constituição as palavras Voto Secreto, mas, não foram incluídas as palavras A
partir da data passaram os votos a serem abertos. O que isso pode gerar? Pode
gerar contestações de parlamentares que eventualmente entendam que em casos de votação aberta como cassação
de mandato por exemplo que não esta
determinado na constituição que o voto deve ser aberto, mas, no regulamento do
Senado Federal consta que deve ser secreto e como a constituição não determina
objetivamente o voto aberto, fica valendo lei complementar ou o regimento das
casas do Senado e da Câmara. Fatalmente irá gerar contestações e demandas junto
ao STF (Supremo Tribunal Federal) para o cancelamento de votações e de
apreciação de eventuais demandas.
Vi e Ouvi o Senador Aloísio Nunes alertando o Presidente da
Mesa Senador Renan Calheiros sobre o texto aprovado. Esse, fingiu que não ouviu
alegando que não, não tem problema algum. Uma repórter da Rede Globo – Radio CBN
– Roseam Kenedy perguntou a Senador Renan Calheiros se ele não iria modificar o
regulamento do Senado onde ele também fingiu que não ouviu desconversando não
dizendo nada. O que fica é: Se não modificarem
o regulamento do Senado Federal, o voto aberto não passará de uma
tremenda farsa e enganação ficando para
o Senado Federal a prerrogativa e o poder de decidir e deliberar sobre a
votação secreta ou aberta. Eles dizem que serão abertas, mas o que
possivelmente o STF dirá se não modificarem o regulamento? A resposta a essa rasteira manobra saberemos
em um futuro mais próximo do que se imagina.
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