sábado, 8 de junho de 2013

Bandoleiros do asfalto


Em 6 e 7  de Junho de 2013, tivemos manifestações com passeatas em São Paulo e Rio de Janeiro contra o aumento da tarifa de ônibus e metro.
As manobras foram articuladas pelas redes sociais na weeb onde, em São Paulo, tiveram como palco as avenidas 9 de Julho (ligação do centro da cidade com a zona sul), Av. 23 de maio (agora corredor de ligação entre as zonas norte e sul passando pelo centro da cidade) e no centro financeiro da cidade na Av. Paulista. Até ai, tudo dentro do direito a manifestação pacífica publica contra os aumentos, mas não transcorreu dentro das regras que regulam esse tipo de evento na cidade de São Paulo. Ocorre que o protesto tem como pauta a rejeição pelo aumento das tarifas de 3,00 reais para 3,20 reais. Até ai nada de anormal,  justo e de direito o protesto, mas a rapaziada se excedeu e após intervenção da polícia de choque contra os manifestantes que tinham como objetivo claro causar um enorme engarrafamento na cidade paralisando o trafego de veículos nos mais importantes canais viários de escoamento de quem retornava do trabalho no horário de pico, partindo para o quebra-quebra e é nesse momento que a razão escoa ralo abaixo. Não se pode partir para atos de selvageria e vandalismo que dilapidam tanto patrimônio público, como no caso das estações de metro da Av. Paulista bem como propriedades privadas, sendo no caso do shopping-center atingido. Nem mesmo as bancas-de-jornais escaparam da tragédia, o que é uma pena, pois o brasileiro não costuma fazer atos, passeatas, protestos em questões que dizem respeito aos interesses da sociedade e, nesse caso, se excedeu implacavelmente perdendo a razão.
 Notadamente percebe-se uma estratégia equivocada por parte dos organizadores do movimento. Quando se tem como objetivo paralisar vias importantes de escoamento de trafico veicular, atinge-se aos usuários, a população da cidade e não aos responsáveis pelo aumento das tarifas que são as autoridades governamentais. Quando se depreda patrimônio público, atinge-se diretamente o bolso do contribuinte e, quando ocorre com propriedade privada, atinge-se os proprietários que nada tem haver com a responsabilidade sobre os aumentos, ou seja: em momento algum o movimento serve para pressionar as autoridades competentes.
Nesse caso de aumento de tarifas de ônibus e metro, a verdade dos fatos são o seguinte: São levantados os custos, é fixado o valor das tarifas que os usuários terão que pagar com uma margem de lucro para os empresários do setor de transportes, sempre dentro das políticas e regras acordadas que regulam o sistema entre as partes envolvidas cabendo ao usuário apenas o ônus do pagamento e a utilização dos serviços. Se os valores das tarifas fixadas forem menores do que os custos mais a margem de lucro, os governos municipais e estaduais repassam valores relativos à diferença como forma de subsídio e, nesse caso, o usuário paga como contribuinte. Se os valores estiverem dentro das previsões reais acordadas, o usuário paga pela tarifa fixada. Sempre, sempre os usuários irão pagar, quer seja diretamente, quer seja indiretamente. Então qual a melhor pauta para um movimento com reinvindicações? Claro que parte da mobilidade urbana com transporte público que realmente tenha qualidade e, não o que se tem hoje no sistema. O Erro parte da forma e conteúdo na estratégia da pauta e, neste caso, podemos entender que, o movimento tem apenas um caráter político que não pressiona ninguém e nem levará a lugar algum. O que é uma pena.

Eduardo Cseny





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