Em 6 e 7 de Junho de
2013, tivemos manifestações com passeatas em São Paulo e Rio de Janeiro contra
o aumento da tarifa de ônibus e metro.
As manobras foram articuladas pelas redes sociais na weeb
onde, em São Paulo, tiveram como palco as avenidas 9 de Julho (ligação do centro
da cidade com a zona sul), Av. 23 de maio (agora corredor de ligação entre as
zonas norte e sul passando pelo centro da cidade) e no centro financeiro da
cidade na Av. Paulista. Até ai, tudo dentro do direito a manifestação pacífica
publica contra os aumentos, mas não transcorreu dentro das regras que regulam
esse tipo de evento na cidade de São Paulo. Ocorre que o protesto tem como
pauta a rejeição pelo aumento das tarifas de 3,00 reais para 3,20 reais. Até ai
nada de anormal, justo e de direito o
protesto, mas a rapaziada se excedeu e após intervenção da polícia de choque
contra os manifestantes que tinham como objetivo claro causar um enorme
engarrafamento na cidade paralisando o trafego de veículos nos mais importantes
canais viários de escoamento de quem retornava do trabalho no horário de pico,
partindo para o quebra-quebra e é nesse momento que a razão escoa ralo abaixo.
Não se pode partir para atos de selvageria e vandalismo que dilapidam tanto patrimônio
público, como no caso das estações de metro da Av. Paulista bem como
propriedades privadas, sendo no caso do shopping-center atingido. Nem mesmo as
bancas-de-jornais escaparam da tragédia, o que é uma pena, pois o brasileiro
não costuma fazer atos, passeatas, protestos em questões que dizem respeito aos
interesses da sociedade e, nesse caso, se excedeu implacavelmente perdendo a
razão.
Notadamente percebe-se
uma estratégia equivocada por parte dos organizadores do movimento. Quando se
tem como objetivo paralisar vias importantes de escoamento de trafico veicular,
atinge-se aos usuários, a população da cidade e não aos responsáveis pelo
aumento das tarifas que são as autoridades governamentais. Quando se depreda patrimônio
público, atinge-se diretamente o bolso do contribuinte e, quando ocorre com
propriedade privada, atinge-se os proprietários que nada tem haver com a
responsabilidade sobre os aumentos, ou seja: em momento algum o movimento serve
para pressionar as autoridades competentes.
Nesse caso de aumento de tarifas de ônibus e metro, a verdade
dos fatos são o seguinte: São levantados os custos, é fixado o valor das tarifas
que os usuários terão que pagar com uma margem de lucro para os empresários do
setor de transportes, sempre dentro das políticas e regras acordadas que
regulam o sistema entre as partes envolvidas cabendo ao usuário apenas o ônus do
pagamento e a utilização dos serviços. Se os valores das tarifas fixadas forem
menores do que os custos mais a margem de lucro, os governos municipais e
estaduais repassam valores relativos à diferença como forma de subsídio e,
nesse caso, o usuário paga como contribuinte. Se os valores estiverem dentro das
previsões reais acordadas, o usuário paga pela tarifa fixada. Sempre, sempre os
usuários irão pagar, quer seja diretamente, quer seja indiretamente. Então qual
a melhor pauta para um movimento com reinvindicações? Claro que parte da mobilidade
urbana com transporte público que realmente tenha qualidade e, não o que se tem
hoje no sistema. O Erro parte da forma e conteúdo na estratégia da pauta e,
neste caso, podemos entender que, o movimento tem apenas um caráter político
que não pressiona ninguém e nem levará a lugar algum. O que é uma pena.
Eduardo
Cseny
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