sexta-feira, 3 de maio de 2013

Salário e a verdade dos fatos

Matéria retirada do jornal Folha de São Paulo. Direitos autorais pertencentes ao jornal. 
01/05/2013 - 03h50

Alta dos salários supera inflação em 86% dos reajustes deste ano

CLAUDIA ROLLI

DE SÃO PAULO

De cada 10 reajustes salariais concedidos neste ano, quase 9 (86%) conseguiram ganhos reais (acima da inflação), mostra levantamento do Dieese a partir de 93 acordos salariais de janeiro a abril.
Em média, o ganho real dos acordos firmados neste ano por 12 categorias profissionais foi de 1,4% (acima da inflação). De janeiro a junho do ano passado, o aumento foi de 2,23% em 370 negociações salariais estudadas pelo órgão.
Apesar de a intensidade do aumento real ser menor neste ano, 86% dos reajustes (80 acordos) firmados ficaram acima da inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), do IBGE.
Editoria de arte/Folhapress
O indicador é o mais usado nas negociações salariais, além de servir de referência para reajustar o salário mínimo e aposentadorias.
Dos reajustes firmados até abril, 5,4% (5 acordos) zeraram as perdas da inflação e 8,6% (8 acordos ) ficaram abaixo do INPC acumulado nos 12 meses anteriores a cada data-base das categorias que fecharam acordo.
"A elevação da inflação tem reflexo direto no reajuste e sobretudo no tamanho do ganho real", afirma José Silvestre Prado de Oliveira, coordenador de relações sindicais do Dieese.
O impacto nas negociações fica ainda mais claro quando se compara os indicadores deste ano e de 2012, explica o economista: "Quem negociou em abril teve de enfrentar inflação acumulada de 7,08% (INPC), em abril do ano passado foi de 4,97%".
Os maiores aumentos reais foram obtidos por trabalhadores do setor de asseio e conservação do Amazonas e da construção civil de João Pessoa (PB) --3,58% acima do INPC.
O Dieese prevê que em 2013 a maioria dos reajustes concedidos fiquem acima da inflação, mas em menor proporção do que em 2012. No ano passado, 94,6% superaram o INPC. "O segundo semestre deve ser melhor, com a inflação em queda", diz Oliveira.
"No primeiro semestre deste ano é provável que ocorra ligeiro recuo tanto na proporção de negociações com reajustes acima da inflação, medida pelo INPC, quanto no ganho real médio. Entretanto, no segundo semestre a expectativa é de inversão desse quadro. Haverá maior definição do PIB,
o desempenho da indústria deve melhorar e a tendência é de queda da inflação, para patamares entre 5,5 e 6,0%, o que beneficia o cenário das negociações", afirma o coordenador de relações sindicais do Dieese.
Para Fábio Romão, economista da LCA Consultores, o rendimento médio real dos trabalhadores também deve cair neste ano, além da pressão inflacionária, em razão do menor ganho do salário mínimo, que serve como parâmetro para reajustar categorias menos organizadas e não formalizadas. O aumento real do mínimo neste ano foi de 2,7% ante de 7,5% no ano passado.
GANHOS REAIS
Tanto na indústria como no comércio e setor de serviços os aumentos reais são em patamares menores neste ano.
Na indústria farmacêutica paulista, as negociações foram mais difíceis, de acordo com representantes dos trabalhadores. "Inflação em alta não atrapalha só as negociações, mas a vida do trabalhador que perde renda todo mês", diz Sérgio Luiz Leite, presidente da federação dos químicos do Estado de São Paulo.
No ano passado, a categoria conseguiu 7,5% de reajuste _sendo 2,41% de aumento real. Neste ano, o reajuste foi de 8,5%, o que inclui 1,33% de ganho real.
A federação negocia reajuste para 35 mil trabalhadores do setor de etanol. "Estamos pedindo 5% de aumento real e 12% de reajuste total, sabemos que a tendência é de as negociações demorarem mais quando se pede percentuais maiores para repor perdas", diz o sindicalista.
No setor de tecnologia da informação, os cerca de 100 mil trabalhadores do Estado de São Paulo tiveram reajuste de 7% neste ano, após quadro rodadas de negociação. O ganho real foi 0,8% (acima do INPC) ante 1,4% a 3,02% no ano passado.
INFLAÇÃO 'RACHA' CENTRAIS
O combate à inflação é unânime entre as centrais, mas a forma de repor as perdas nos salários divide as centrais sindicais.
Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical, defende a volta do gatilho salarial. "Se o governo não controla a inflação, o trabalhador não pode arcar com essa perda. A ideia é ter reajuste automático a cada três meses." A medida será defendida hoje no palco das comemorações do 1 de maio que a central vai realizar.
Para Vagner Freitas, presidente da CUT, a bandeira do gatilho é "eleitoreira" e não salarial. "Gatilho fazia sentido na época do Sarney, quando havia de fato descontrole da inflação."
CTB e UGT também são contrárias à volta do gatilho salarial.
"Sou contrário [ao gatilho salarial]. Isso pode realimentar a inflação. No passado, já convivemos com essa realidade. O caminho é o da desindexação", diz Romão.




Comentário:  Vejo a questão das percas ou ganhos reais dos salários com relação a inflação da seguinte maneira: Os índices apresentados pelo IBGE são os indicadores que são e servem como parâmetros na ora das negociações das diversas categorias sindicais existentes na economia brasileira. Outros indicadores são queles apresentados pelo DIESE, que outrora divergia dos índices apresentados pelo governo, hoje, como se lê na matéria, mais próximos. Este fato chama a atenção. Outrora, em governos anteriores, como os índices do DIESE apontavam números muito maiores que os usados pelo governo, as centrais sindicais e seus sindicatos o usavam como parâmetro. Hoje dados e números governamentais são aceitos. Como se vê, tudo é uma questão de política e de interesses políticos. Mas vamos ao que interessa, vou escrever agora sobre custo de vida real e salários. Nos dados oferecidos pelos índices governamentais, há o que se chama de metodologia aplicada, que em alguns casos geram o que eu chamo de expurgos, ou seja: aquilo que não mais é levado em conta na hora de fazer o levantamento e os cálculos estatísticos para se chegar aos números finais. Preocupa a oscilação sempre em alta dos preços dos serviços, tarifas públicas, alugueis também regido por parâmetros de mercado que normalmente inflacionam seus preços devido a sempre maior procura do que a oferta de imóveis a disposição de serem locados e por fim a oscilação sempre para parâmetros maiores do preço dos alimentos, combustíveis de transportes e bens de consumo com relação a inflação divulgada. Quanto ao oscilação positiva dos preços de bens de consumo, não me preocupa, pois, compra quem quer, mas os alimentos e combustíveis estes sim tem impacto direto nos índices de inflação. Portanto eu posso seguramente afirmar que ganhos reais 1,4% acima da inflação divulgada é muito pouco para trazer os salários a verdade dos fatos que dizem que precisar-se-ia uma margem bem mais gorda do que isso para realmente garantir salários positivos com relação aos preços praticados pelo mercado. Mais uma vez, portanto posso aqui concluir que o sindicalismo no Brasil deixou de existir desde que o partido dos trabalhadores (PT) chegou com seus representantes as vias do poder elegendo Luis Inácio Lula da Silva e depois Dilma Rousef a presidência da Republica. Indexar salários com inflação na casa de 5 a 6,5% ano como bandeira sindical que traga de volta a luta sindical das centrais em prol dos trabalhadores, é demagogia barata e sobretudo burrice.


Eduardo Cseny

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